quinta-feira, 14 de maio de 2015

Guia rápido para não passar vergonha quando o assunto é vinho



Agora que o frio veio com tudo aqui em Curitiba, nada como apreciar uma bela taça de vinho (ou garrafa, sem julgamentos) seja no conforto de sua residência ou em um delicioso jantar no Mahatma (temos vinhos deliciosos para harmonizar com nosso cardápio #ficadica), sozinho ou acompanhado. Não importa o motivo, o local nem a razão. É uma bebida que sempre cai bem. Melhor ainda se conhecermos o que estamos tomando, e como extrair o melhor de suas características, não é? Ok, então vamos por partes:

A DEGUSTAÇÃO

Quando falamos em degustação de vinho, geralmente fica aquele ar de mistério “huumm, degustar o vinho, que fino, que ousado, que prolixo”.
Calma, não é nenhum bicho de 7 cabeças. Lembre-se de segurar a taça sempre pela haste. Quando dois corpos entram em contato, há uma troca de calor entre eles, e não queremos esquentar nosso vinho.

  •  Primeiramente, vem a análise visual. Lembre-se que o vinho deve ser decantado para se efetuar este tipo de análise. Colocamos a taça contra uma fonte de luz ou sobre uma superfície branca. Se após a decantação o mesmo se apresentar turvo (opaco), isto pode demonstrar que tem algo errado ali. Mas nem sempre. Alguns sedimentos podem ser resultados do processo de fermentação, outros, de envelhecimento ou mudanças de temperatura, fique atento.

Senta que lá vem o frio.
Apresentar sedimentos nem sempre significa que o vinho está passado. Para ter certeza disso, é preciso analisar outras características desse vinho.


  •   Em seguida, observamos a nuance e a intensidade da cor do vinho. Aqui estaremos analisando o grau de envelhecimento do vinho. Vinhos tintos jovens geralmente apresentam coloração púrpura, já os mais envelhecidos apresentam coloração alaranjada ou castanha nas bordas.

Senta que lá vem o frio.
A paleta de cores aqui vai da coloração mais jovem a mais envelhecida do vinho tinto.
  • E por último, as lágrimas. 

Senta que lá vem o frio.
Não essa amigs.
 Para isto faça movimentos circulares com a taça (cuidado, a taça não é uma centrífuga tá?) e observe as lágrimas escorrendo pelas bordas. Quanto mais lentas elas forem, maior o teor alcoólico do vinho. Um vinho mais leve apresenta um teor alcoólico menor, portanto suas lágrimas são mais rápidas.

Senta que lá vem o frio.
Também conhecida como "pernas" (ocorre mais no inglês), são as gotículas que deslizam pela taça após você tomar aquele belo gole.

Degustar um vinho nada mais é do que experimenta-lo de forma atenta e deixa-lo na boca por um tempo, para que possamos analisar suas qualidades e seus defeitos. Mas no fim das contas, basta confiar na sua intuição. Se a cor ou o cheiro estão esquisitos, é uma cilada.
Senta que lá vem o frio.

"Humm, vejamos.... notas cítricas de.....  cachorro molhado."  Não!

A TEMPERATURA IDEAL DO VINHO

Sim, existe uma temperatura para que cada vinho possa expressar suas características únicas de sabor, aroma, graduação alcoólica e acidez. Se você não obedecer à risca a temperatura indicada para o seu vinho, pode ocorrer da garrafa explodir ao abri-lo, ou você ter uma dor de barriga horrível.

Senta que lá vem vinho.
"Devia ter tirado o vinho da geladeira mais cedo."


Brincadeira! Só para dizer que calma, não precisa ser tão ortodoxo em relação a isso. Porém, existem características que se não estiverem na temperatura adequada, elas podem ser atenuadas, ou até desaparecer, mudando a percepção do vinho. Por exemplo, quando o vinho está muito frio, os aromas somem, ficando praticamente escondidos. Já o calor contribui para apresentar bastante álcool. Então vamos lá:
Os vinhos tintos merecem uma atenção especial por causa da sua ampla variedade e complexidade. Por exemplo, ao servir um tinto muito gelado, ele pode se apresentar duro e desagradável, uma vez que os taninos serão realçados juntamente com a acidez.
Portanto, a temperatura ideal para servir os vinhos tintos fica entre 15 e 18 graus dependendo da concentração do vinho. Por exemplo, um Cabernet Sauvignon robusto necessita mais temperatura que um Merlot jovem ou um Pinot Noir que podem ser degustados um pouco mais frios.
A mesma teoria pode ser aplicada para os vinhos brancos. Por não terem taninos, se forem servidos a uma temperatura mais elevada vão apresentar álcool demais. Mas cuidado para não resfriar muito, pois quando o vinho fica bastante gelado seus aromas somem. O ideal é que sejam servidos entre 10 e 12 graus. Mais temperatura para os Chardonnay e menos para os Sauvignon Blanc.
E por último mas não menos importante:

POR QUE “ESQUENTAMOS” QUANDO TOMAMOS VINHO?

Senta que lá vem o frio.
"Tá calor aqui ou é você?"

A verdade é que ocorre o contrário. O corpo esfria quando tomamos vinho.

Sim, quando ingerimos o vinho, o corpo esfria e o organismo se esforça mais para manter a temperatura dentro dos padrões da normalidade. Sendo assim, a circulação do sangue aumenta, principalmente para os membros e as extremidades, dando sensação de aquecimento (e aquele calor delícia que “sobe” quando ingerimos um vinho gostoso no frio). É por isso que quando bebemos, ficamos vermelhos. Na verdade é o sangue circulando mais nas extremidades. 

Senta que lá vem o frio.
"Querida, trouxe um Chateau Pape-Clément para degustarmos hoje à luz do luar. Coisa rara."
Esperamos ter ajudado vocês a saber o mínimo aceitável sobre vinhos, e como escolher o que mais te agrada. Mas segura que tem mais: Em breve vamos postar a parte 2: tipos de uvas, conservação e mais. Aguardem!

Gostou? Tem alguma dúvida ou quer saber mais? Fique a vontade para comentar, a casa é sua!


Fontes:
Missão Sommelier - www.missaosommelier.com.br
Guia do vinho - www.guiadovinho.com.br
Sommelier wine - www.sommelierwine.com.br/
Foto "nuance do vinho tinto": Coluna Sabor e saber - colunasaboresaber.net/